Neste mundo, quer dizer, na Igreja, que toda ela segue
Cristo, Este diz a todos: "Quem quiser vir após Mim, renuncie a si
mesmo". Porque esta ordem não se destina às virgens, com exclusão das
mulheres casadas; às viúvas, com exclusão das esposas; aos monges, com exclusão
dos esposos; aos clérigos, com exclusão dos laicos. É toda a Igreja, todo o
Corpo de Cristo, todos os seus membros, diferenciados e repartidos segundo as
suas tarefas próprias, que deve seguir Cristo. Que toda ela O siga, ela que é
única, ela que é a pomba, ela que é a esposa (Ct 6, 9); que ela O siga, ela que
foi resgatada e enriquecida com o sangue do Esposo. A pureza das virgens tem
aqui o seu lugar; a continência das viúvas tem aqui o seu lugar; a castidade
conjugal tem aqui o seu lugar. [...] Que sigam Cristo, estes membros que têm o
seu lugar, cada um segundo a sua categoria, cada um segundo a sua
classificação, cada um à sua maneira. Que renunciem a si mesmos, quer dizer,
que não se apoiem em si próprios; que levem a sua cruz, quer dizer, que
suportem no mundo, por Cristo, tudo o que o mundo lhes infligir. Que O amem, a
Ele, o Único que não desilude, o Único que não está enganado, o Único que não
Se engana. Que O amem porque o que Ele promete é verdadeiro. Mas, porque Ele
não o dá agora, a fé vacila; pois continua, persevera, suporta, aceita o
atraso, e terás levado a tua cruz.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Esta dor, ó Minha querida filha!
Maria falando ao Coração das Donzelas por Abade A. Bayle, 1917
I. Tu, Minha filha, tens considerado até ao presente as
dores do Meu divino Filho, mas não deixes de lançar um olhar para aquelas que
Eu tive de sofrer nesses terríveis momentos. Só uma mãe pode apreciar a
grandeza delas e dizer se não eram infinitamente cruéis. Era Mãe desse Filho
que, concebido pela operação do Espírito Santo, era todo o Meu amor, a Minha
vida, em quem tudo era amável, afetuoso, imaculado. O Seu olhar, a Sua
esperança, eram a Minha felicidade.
Era Mãe, e Mãe dum Filho que era Deus, que Se tinha
encarnado em Meu seio virginal para salvar todos os homens da escravidão do
inferno, dum Filho consubstancial ao Pai, que criou juntamente com Ele, que
rege e governa com Ele o mundo inteiro, dum Filho que tinha realizado as
esperanças dos patriarcas e as predições dos profetas. Mas este Filho adorado
pelos anjos, saudado pelos astros, obedecido por todas as coisas visíveis e
invisíveis, devia Eu vê-lO, vítima dos mais afrontosos tormentos e dos mais
vergonhosos ultrajes. Como Ele não tinha querido encarnar-Se em Mim sem o Meu
consentimento também não quis sofrer sem o Meu consentimento a Sua dolorosa paixão.
A Minha hora é chegada, ó Minha Mãe, Me disse Ele: a traição
de Judas, as cordas, as cadeias, os escarros, as bofetadas, a flagelação, a
coroa de espinhos, a cruz, o Calvário, esperam-Me. Devo cumprir a obra da
Redenção. Podes tu imaginar um momento mais terrível! Bem sabia Eu que uma
espada devia atravessar-Me o coração; disse-Me Simeão, quando apresentei no
templo o Meu divino Filho; mas quando vi chegar esse momento, não teria podido
suportar a Minha dor, se a força divina Me não tivesse amparado. Eu, Mãe dum
Filho, vê-lO ser submetido aos mais horríveis tormentos que a barbaridade
humana tinha podido inventar! Quem podia consolar-Me?
II. Não te narrarei quanto o Meu coração foi despedaçado
sabendo e vendo Jesus atado, arrastado por cordas de um tribunal ao outro,
espancado por milhares de vezes, exposto ao povo como objeto: de desprezo, a
cabeça magoada por uma coroa de Espinhos, vestido com um farrapo de púrpura,
uma cana na mão à maneira de cetro, para entregá-lO ao escárnio da populaça!
Não te contarei as Minhas dores quando O vi carregado com a cruz subir ao
Calvário sem que me fosse permitido ajudá-lO. Pára unicamente coMigo aos pés da
cruz.
Muitas mães têm tido seus filhos cruelmente assassinados,
mas não tiveram a dor de assistir ao seu suplício; esta dor suprema estava
reservada para o Meu amor. Jesus devia beber o cálice de amargura, e Eu mesma
bebi dele uma parte.
Houve dois sacrifícios, um do Filho, outro da Mãe. Tive de
assistir a esse terrível espetáculo, ver os membros puríssimos do Meu divino
Filho pregados sobre Cruz. Vi Meu filho sobre a Cruz pedindo socorro a Seu Pai,
que não Lhe dava atenção, e não poder Eu mesma socorrê-lO. Pedia de beber,
queria saciar-Lhe a sede, mas não podia: tinha de vê-lO beber fel e vinagre.
Ah! Minha filha, posso apenas exprimir-te quanto o Meu
coração foi despedaçado nesse momento. Dois altares foram erigidos sobre o
Calvário, e dois sacrifícios de dor foram aí oferecidos: um sobre a Cruz; outro
em Meu coração. Jesus não carecia dos Meus merecimentos para resgatar o mundo;
Eu mesma devia pertencer ao número das remidas, devia ser a primeira. Mas não
tinha sido só o homem a perder o mundo pelo pecado, a mulher tinha tido nisso
grande parte, por isso o Deus Todo-Poderoso quis que não fosse só Jesus o único
a remir o mundo e que unisse os Meus merecimentos aos do Meu Filho, tudo o que
alcançavam os Meus merecimentos de conveniências a tudo o que obtinham os
merecimentos absolutos e perfeitos da Sua paixão e da Sua morte.
III. Mas não acabaram ali as Minhas dores, ó Minha filha.
Todo o ódio e toda a crueldade para os condenados, culpados dos maiores crimes,
acaba logo que morrem. Mesmo eles tornavam-se então objeto duma compaixão
involuntária. Mas ai! não houve piedade alguma para com Meu divino Filho. Tinha
exalado o último suspiro depois de ter pedido a Seu Pai que perdoasse aos Seus
algozes, mas a Sua cólera contra este inocente não estava inteiramente
satisfeita; vem um soldado furioso que envia uma lançada a Jesus rasga-Lhe o
lado e atravessa-Lhe o coração. Fui ainda testemunha dessa ferida, e esse golpe
terrível penetrou no Meu Coração ao mesmo tempo que no Seu; que digo Eu? - toda
a violência da dor recaiu sobre Mim, porque Jesus estava morto. Uma única coisa
podia consolar-Me, era o pensamento de que tudo se cumpriu para salvação do
mundo.
Era para a salvação do mundo que o Meu divino Filho devia
morrer e verter até á ultima gota do Seu sangue. Mas essa consolação trocava-se
em dor, locupletava-a mesmo. Pensava que para muitas almas esse sangue se
derramava em vão que seria para muitos uma causa de condenação mais terrível em
lugar de ser uma causa de salvação.
Ó dor! se tens um coração sensível, Minha filha, compreende
a Minha situação.
Resignei-Me ao desejo do Eterno que Me pedia Meu Filho para
holocausto e vítima de expiação.
Não havia outro meio. Ou o mundo devia ser eternamente
desgraçado ou Jesus devia morrer. - Que a Vossa vontade seja feita, disse Eu ao
Pai celeste e curvei a cabeça diante dos decretos eternos do céu. Assisti à
dolorosa Paixão, vi derramar todo esse sangue que para muitos devia correr
inutilmente conforme o compreendi no Calvário mesmo. Alguns rasgavam o peito e
pediam perdão, outros obstinavam-se na sua cegueira. E Eu, desgraçada Mãe, via o
Meu Filho morto para todos os homens e não os salvando a todos! Ouvia a Sua voz
que dizia: - Salvei-os, tudo está consumado, - e Eu via muitos sem cuidado
algum na Sua redenção. Esta dor, ó Minha querida filha, tortura o Meu coração
mais que todas as dores as mais amargas.
Ora, este desprezo que Me magoou excessivamente, quantos
agora são dele culpados! Quantos por vãos prazeres e para seguir as suas
paixões tornam inútil o sangue vertido para a sua salvação! E tu, Minha filha,
quererás também desprezar um tão grande beneficio! quererás infligir-Me a dor
de te ver eternamente perdida! tem piedade da tua alma e de Mim.
Afetos. Ó minha Mãe das dores, ó Mãe de misericórdia, ó
Maria, tenho aumentado os meus sofrimentos multiplicando os meus pecados. Ao pé
da cruz sentíeis uma dor mais viva pensando que muitos desprezariam esse sangue
que víeis correr com tanta abundância das chagas do Vosso divino Filho. E eu,
ah! bem o compreendo, até ao presente tenho tido a desgraça de ser do número
desses infelizes! Tenho sido até ao presente um desses cruéis algozes que não
tem sentido arrependimento algum pela morte de Jesus.
Mas Vós tendes tocado o meu coração, ó querida Mãe. Um raio
de luz desceu sobre mim. Quero ser do número daqueles que desciam do Calvário
despedaçando o peito e pedindo misericórdia. Tende piedade de mim, Vossa
miserável filha, que tenho ficado tão cruelmente insensível às Vossas dores,
que não tenho feito senão aumentá-las. Ao pé da cruz Vós chorastes por mim
também. Mas de que me serviriam os Vossos choros se ficasse imóvel nos mesmos
desvarios? Sou feliz por ter podido, graças a Vós, conhecer a minha cegueira e
a necessidade que tenho de chorar as minhas culpas e corrigir-me delas!
Chorá-las-ei até ao fim da vida e acautelar-me-ei de cometê-las ainda de
futuro.
Vós tendes-me ensinado a aproveitar-me do beneficio da
redenção, e com o Vosso auxilio, enquanto viver, não mais o desprezarei. Assim seja!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O Purgatório por Santa Catarina
Alguns trechos essenciais do "Tratado do
Purgatório"
de Santa Catarina de Gênova.
Via com os olhos da alma e compreendia a condição dos fiéis
no Purgatório, eram ali para purificar-se antes de serem apresentados diante de
Deus, no Paraíso.
A ferrugem do pecado é o impedimento e o fogo vai consumindo
a ferrugem e assim a alma com o passar do tempo vai descobrindo o divino
influxo...
Assim a ferrugem (isto é, o pecado) é a cobertura das almas
e no Purgatório se vai consumindo pelo fogo e quanto mais consome, mais se
corresponde ao verdadeiro sol, Deus. Porém cresce a alegria enquanto diminui a
ferrugem e se descobre a alma ao divino raio. E assim um cresce e o outro
diminui, até que seja terminado o tempo.
A pena existe, mas somente o tempo de estar nessa pena. E
quanto à vontade, não posso dizer que aquelas sejam penas, porque são contentes
pela ordem dada por Deus, com a qual é unida a vontade deles na pura caridade.
Têm uma pena tão extrema que não se encontra língua que
possa narrar, nem intelecto que possa entender uma mínima cintila, se Deus não
lhe mostrasse por graça especial.
Nasce neles um extremo fogo, parecido com aquele do inferno,
exceto a culpa, a qual è aquela que faz a vontade maligna aos danados do
Inferno, aos quais Deus não corresponde a sua bondade e por isso restam naquela
desesperada, maligna vontade contra a vontade de Deus.
Oh! Quanto é perigoso o pecado feito com malicia: porque o
homem dificilmente se arrepende e não arrependendo-se, sempre está na culpa, a
qual persevera quanto o homem está na vontade do pecado cometido ou a ser
cometido!
De quanta importância seja o Purgatório, nem a língua o pode
exprimir, nem mente entender, somente que vejo tantas penas como no Inferno e
vejo a alma a qual em si sente uma mínima mancha de imperfeição, recebê-lo por
misericórdia (como se disse), não fazendo em um certo modo estima, em
comparação daquela mancha que impede o seu amor.
Quando a alma, por interior vista, vê-se aproximada a Deus
com tanto amoroso fogo, aí por aquele calor do amor do seu doce Senhor e Deus,
que sente rebombar na sua mente, tudo se liquefaz.
Vendo a luz divina e como Deus não cessa de aproximá-la dEle
e amorosamente a conduz à inteirar sua perfeição, com tanta cura e contínua
provisão e que o faz somente por puro amor.
Vejo ainda proceder daquele divino amor à alma certos raios
e lampos, tão penetrantes e fortes, que parecem que devem abater não somente o
corpo, mas ainda a alma se fosse possível.
Esses raios fazem duas operações: com a primeira purificam;
com a segunda, abatem.
Saiba que aquilo que o homem pensa que em si é perfeição,
perante Deus, é defeito: portanto tudo aquilo que tem aparência de perfeição,
como as vê, as escuta, as entende, as quer, ou seja, tem uma memória, sem o
reconhecimento de Deus, tudo se contamina e se suja.
E’ verdade que o amor de Deus, o qual é abundante na alma
(segundo aquilo que vejo) dá uma alegria tão grande, que não se pode exprimir,
mas essa alegria às almas que estão no Purgatório não cancela nem uma cintila de pena deles.
Isto é, aquele amor é que faz a pena deles e quanto maior a
pena quanto maior a perfeição do amor o qual Deus lhes dá.
Me vem vontade de gritar, um grito forte, que amedrontasse
todos os homens que estão na face da terra e dizer: Oh míseros, porque vos
deixais corromper por este mundo, que não vos dá nada e que na hora da vossa
morte, o que vos concederá?
Todos estão cobertos pela esperança da misericórdia de Deus,
a qual dizeis ser tão grande, mas não vedes que tanta bondade de Deus vos será
em juízo, por ter feito contra a vontade de um tão bom Senhor?
Não ter confiança dizendo: Eu me confessarei e depois terei
a Indulgência Plenária e serei naquele ponto purgado de todos os meus pecados e
assim serei salvo.
Pensa que a confissão e contrição a qual precisa para essa
Indulgência Plenária é muito difícil de conseguir, que se tu o soubesses,
tremerias de tanto medo e serias mais certo de não tê-la que de poder
conseguir.
Créditos:Escravas de Maria
Imagem: CARRACCI,
Lodovico “An Angel Frees the Souls of Purgatory”
domingo, 23 de setembro de 2012
23 de Setembro-São Pio de Pietrelcina
Sou todo de todos. E cada um pode afirmar: "Padre Pio é meu".
Amo muito os meus irmãos de exílio. Amo os meus filhos espirituais como à minha
própria alma e até mais. Reconciliei-os com Jesus, regenerei-os na dor e no amor. Posso
esquecer-me de mim mesmo, mas nunca dos meus filhos espirituais. Pelo
contrário; asseguro que, quando o Senhor me chamar deste mundo, eu lhe direi:
"Senhor, ficarei à porta do Paraíso; entrarei depois de ver entrar o
último dos meus filhos espirituais". Sofro muito por não poder levar todos os meus irmãos para Deus. Em certo
momentos, fico a ponto de morrer, com o aperto que sinto no coração, ao
ver tantas almas sofredoras, sem poder aliviá-las, e tanto irmãos aliados
com Satanás.
São Pio de Pietrelcina
domingo, 9 de setembro de 2012
Assim a árvore produziu seu fruto e Adão foi salvo e reviveu.
Alguns autores contam que Adão, adoecendo, enviou seu filho Set a procurar-lhe um remédio. Set, aproximando-se do paraíso, contou ao anjo que seu pai estava à morte. O anjo cortou um ramo daquela árvore, de cujo fruto Adão comera, deu-o a Set, dizendo: Quando este ramo der fruto, seu pai estará são. Isto, aliás, transparece num prefácio da Missa, quando se diz: "para que a vida ressurgisse de onde a morte viera". Set, porém, ao voltar encontrou Adão morto e sepultado Plantou o ramo à cabeceira da sepultura. Oramo cresceu e tornou-se uma grande árvore. Dizem até que a ranha de Sabá, ao visitar Salomão, encantou-se com a grandiosidade da árvore. Voltando á sua pátria, teria escrito uma carta a Salomão e teria dito que tivera um pressentimento ao ver a grande árvore: alguém enforcado nela e por conta desse enforcamento, os judeus perderiam a liberdade e a pátria. Salomão então, teria cortado a árvore e a teria enterrado e sobre ela construído uma piscina. Com o tempo o tronco teria vindo à superfície. Na sexta-feira santa, quando os soldados procuraram um tronco para pregar Jesus de Nazaré, encontraram justamente este e o puseram às costas de Jesus. Nele crucificaram o Senhor. assim a árvore produziu seu fruto e Adão foi salvo e reviveu.
Santo Antônio de Pádua
sábado, 8 de setembro de 2012
Da Natividade de Maria
A grandeza da santidade de Maria provém das graças abundantes com que Deus a enriqueceu desde o princípio, e da sua admirável correspondência às mesmas.
O nascimento de um filho é considerado dia de festa para a família. Entretanto haveria antes motivo para lamento e pranto, considerando que a criança nasce não só privada de méritos e de razão, como ainda manchada pela culpa e sujeita, como filha da cólera divina, ás misérias e a morte. O nascimento de Maria, sim, é justo seja celebrado com festas e louvores universais. Pois a Virgem viu a luz do mundo, criança na idade, porém grande em merecimentos e virtudes. Todavia para compreendermos o grau de santidade com que nasceu, precisamos considerar primeiramente a grandeza da graça com que Deus a enriqueceu; em segundo lugar, quanto foi grande a fidelidade de Maria em corresponde a essa graça.
PONTO PRIMEIRO: A primeira graça em Maria excede em grandeza à graça de todos os anjos e santos.
1, Testemunho dos teólogos
Inegavelmente foi a alma de Maria a mais bela que Deus criou. Depois da Encarnação do Verbo foi esta a obra mais formosa e mais digna de si, feita pelo Onipotente deste mundo.Uma maravilha enfim que só é excedida pelo próprio criador, como diz Nicolau, monge. Por isso não desceu graça em Maria, gota a gota como nos outros santos. Desceu, ao contrário, tal como " a chuva sobre à lã do velo, sorveu a Virgem com alegria toda toda a grande chuva de graça sem perder uma gota.
Era-lhe, pois lícito exclamar: Na plenitude dos santos está minha morada ( Eclo 24, 16). Isto significa, conforme a explicação de São Boaventura: Possuo em sua plenitude o que só em parte possuem os outros santos. E São Vicente Ferrer, referindo-se particularmente à santidade de Maria, antes de seu nascimento, diz que excedeu a de todos os anjos e santos.
A graça que adornou a Santíssima Virgem sobrepujou não só a de cada um em particular, mas a de todos os santos reunidos, como prova o doutíssimo Padre Francisco Pepe, jesuíta, em sua bela obra das Grandezas de Jesus e Maria. Nela afirma que essa tão gloriosa opinião para nossa Rainha é hoje em dia comum e certa entre os teólogos modernos,como Cartagena, Suárez, Spinelli, Recupito, Guerra e outros. Todos examinaram a questão ex-professo, coisa que não haviam feito os doutores antigos. Conta Pepe que a Mãe de Deus agradeceu a Suárez, por meio do padre Gutiérrez, por haver defendido com tanto valor essa probabilíssima sentença. Em seu Devoto de Maria atesta Ségneri que essa proposição é sustentada pela comum opinião da escola de Salamanca. Ora, se esta é comum e certa, muito é provável é também esta outra sentença: Maria, desde o primeiro instante de sua Conceição Imaculada, recebeu uma graça superior à de todos os anjos e santos juntos. Suárez defende-a com energia, sendo nisso acompanhado por Spinelli, Recupito e Colombière.
2. Há ainda duas grandes e convenientes razões a favor desta sentença, além da autoridade dos teólogos acima citados.
Primeiro Motivo:
A eleição de Maria para a Mãe do Divino Verbo.
Escreve São Dionísio Cartusiano: Por causa desta predestinação foi Maria elevada a sua ordem superior a de todas as criaturas. Pois, segundo Suárez, de certo modo a dignidade de mãe de Deus pertence á ordem de união hipostática, isto é, a união do Verbo Divino com a natureza humana. Com razão por isso, desde o princípio de sua vida, lhe foram conferidos dons de ordem superior, os quais incomparavelmente excedem a quantos foram concedidos ás demais criaturas. Com efeito, não se pode por em dúvida que, simultaneamente com o decreto divino da Encarnação, ao Verbo de Deus foi também destinada á Mãe da qual devia tomar o ser humano. E essa foi Maria. Ora, São Tomás ensina que a cada um dá Novo Testamento (2 Cor3, 6)Diz isso com ele que os apóstolos receberam de Deus dons proporcionados aos grandes ofícios para que foram escolhidos. Sobre isso assim se eterna São Bernardino de Sena: Quando alguém é eleito por Deus para um cargo , recebe não só as disposições necessária, mas ainda os dons preciosos para exercê-lo dignamente. Ora, em visto da escolha de Maria para a Mãe de Deus, convinha certamente que o Senhor, desde o primeiro instante, a adornasse com uma graça imensa, superior em grau à de todos os outros homens e anjos. Por tal graça tinha de corresponder á imensa e altíssima dignidade, á qual o Senhor a elevara. Assim concluem todos os teólogos com S. Tomás. A Santíssima Virgem, diz este, foi escolhida para ser a Mãe de Deus e para tanto o Altíssimo capacitou-a certamente com sua graça. Antes de ser Mãe, foi Maria, por conseguinte , adornada de uma santidade tão perfeita, que a pôs à altura desta grande dignidade.
Já em outra passagem da Suma Teológica, havia dito o Doutor Angélico que Maria é chamada "cheia de graça", mas não tanto por causa da graça propriamente, porque a não possuía na suma excelência possível. Também em Jesus Cristo, diz o Santo, a graça habitual não foi suma, isto é, de tal forma que o poder divino a não tivesse podido fazer maior em absoluto. Foi entretanto suficiente e correspondente ao fim para a qual a Divina Sabedoria a predestinara, digo para a união da santa Humanidade com a Pessoa do Verbo. Disso a razão no-la dá o mesmo doutor: "Tão grande é o poder divino, que por mais que conceda, sempre lhe resta a dar. Por si só é a criatura divina muito limitada em sua natural receptividade , e ao mesmo tempo capaz de ser inteiramente cumulada. Entretanto é sem limites a sua faculdade de obediência à divina vontade, podendo Deus aumentar-lhe a receptividade e acumulá-la de graças."
PONTO SEGUNDO: A grande fidelidade na pronta cooperação com a graça.
1. Maria teve o uso da razão desde a primeiro instante da sua Imaculada Conceição Ao mesmo tempo que a santa menina recebia no seio de Santa Ana a graça santificante, era-lhe dado também o perfeito uso da razão. A ele se uniu uma grande luz divina, correspondente á graça com que fora enriquecida. O exposto aqui não é já uma opinião isolada, mas um parecer universal, na frase do venerável autor La Colombière. Por conseguinte bem podemos crer que, desde o primeiro instante da união da sua bela alma ao seu corpo puríssimo, foi Maria iluminada com as luzes da divina sabedoria, para bem conhecer as verdades eternas, a beleza das virtudes e sobretudo a bondade de seu Criador e os direitos dele aos afetos do coração, e ao seu em particular. Eram disso razões os singulares dons com que ele a adornou e distinguiu entre todas as criaturas. Pois não a preservara da culpa original? Não lhe dera tão imensa graça?Não a destinara para a Mãe do Verbo e Rainha do Universo.
2. Maria esteve libre de toda inclinação desordenada e de toda distração
Gratíssima ao seu Deus a partir deste primeiro instante, empenhou-se a Virgem e aproveitar fielmente aquele grande cabedal de graças de que era senhora. Aplicou-se toda em amar a Divina Bondade. Desde então amou a Deus com todas as suas forças e continuou amando com os nove meses anteriores a seu nascimento. Não cessou, com efeito,um só momento de unir-se a Deus cada vez mais, , com ferventes atos de amor. Estava livre não só da culpa original, mas de todo movimento desordenado, de toda distração, de toda rebelião dos sentidos, de tudo enfim que lhe pudesse impedir o adiamento no divino amor. Todos os seus sentidos estavam igualmente de acordo com seu bendito espírito na tendência para Deus. Por isso, desvencilhada de todo impedimento, voava-lhe a formosa alma para Deus, incessantemente. Amava-o sempre,e cada vez mais crescia em seu amor. É esta a razão por que Maria diz de si mesma: Eu cresci para o alto como um plátano junto à água ( Eclo 24-19). Planta nobilíssima de Deus, ela cresceu sempre junto a corrente das graças divinas. Também se compara á vinha: Eu, como a vide, lancei flores de um agradável olor( Eclo 24, 23). Fá-lo não só por ter sido humilde aos olhos do mundo, mas porque era constante seu crescimento em perfeição. Diz um provérbio latino: A vide cresce sem fim. As outras árvores, laranjeira, a amoreira, a pereira, têm uma altura determinada, enquanto a vide cresce continuamente até atingir a altura da árvore á qual se encosta. Assim também a Santíssima Virgem cresceu incessantemente em perfeição.
Eis o motivo por que, sob o nome de Gregório Taumaturgo, escreveu certo autor. Eu te saúdo, ó Maria, videira que não cessa de crescer. Conservou-se ela unida sempre a Deus, seu único apoio, e por isso pergunta o Espírito Santo nos Cânticos dos Cânticos: Quem é esta que sobe do deserto, inundando delícias, e firmada sobre o seu Amado? (8, 5) . Segundo S. Ambrósio, quer isso dizer:Quem é esta que unida ao Verbo Divino, cresce como a videira apoiada numa grande árvore?
3. Maria foi fiel à graça divina.
Dizem muitos e graves teólogos que uma alma virtuosa produz um ato de virtude, em intensidade igual ao hábito que possui, cada vez que corresponde às graças atuais que de Deus recebe. Adquire assim, vez por vez, um novo e duplo merecimento que é igual à totalidade de todos os ,méritos adquiridos até então. Esse aumento, dizem eles foi concedido aos anjos durante o tempo de sua provação. Ora, se os anjos possuíam semelhante graça, quem ousará sonegá-la á Divina Mãe, enquanto viveu na terra, principalmente no mencionado tempo de existência no ventre materno, no qual foi certamente mais fiel que os anjos, em correspondente graça? Durante ele duplicou a cada momento aquela graça sublime que possuía desde o começo. Pois, correspondendo-lhe com todas as forças e perfeitamente , duplicava por conseguinte, seus méritos a cada ato que fazia, em todo instante. Só por aí podemos avaliar que tesouros de graça, de merecimentos e de santidade, trouxe Maria ao mundo, quando nasceu.
Santo Afonso Maria de Ligório
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Amem, mas vejam o que amam.
Conforme Santo Agostinho, o homem há de estar necessariamente amando, mas deve ter consigo a ordenação do amor.
O amor não pode ter férias. Que outra coisa senão o amor age e todo homem, inclusive no mau? Mostrai-me um amor em férias e que não faça nada. Maldades, adultérios, crimes, homicídios, luxúria, acaso não os faz o amor? Purifique, pois, seu amor. A água que vai para o esgoto, purifique-a e leve-a à horta. Os mesmos ímpetos que tinha para o mundo tenha-os para o Artífice do mundo. Por acaso poder-se-ia dizer que alguém não ame nada? De modo algum. Preguiçosos, mortos detestáveis, miseráveis seriam os homens se não amassem. Amem, mas vejam o que amam (A Cidade de Deus, 15,22).
O amor, desordenado, chama-se apetite sensual, ambição; o amor reto, caridade. (Comentários aos Salmos 9, 15)
Cada um é aquilo que ama. Ama a terra? Terra é. Ama a Deus? O que direi? É divino. (Sobre as cartas de São João, 2. 1,4)
De tal maneira se compenetram o amante e o amado que tornam-se uma mesma coisa, e as qualidades do amado passam para o amante e vice-versa, dando-lhes a mesma cor, o próprio ser.
Fonte: Adversus Haereses
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Por que chorou Jesus?
"Ao ver Maria chorar, e os judeus que a acompanhavam a
chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-Se". Maria chora,
choram os judeus, o próprio Cristo chora. Crês tu que sentem todos a mesma
tristeza? Maria, irmã do morto, chora porque não pôde conservar o seu irmão nem
afastar a morte; por mais que estivesse convencida da ressurreição, a perda do
seu único amparo e a ideia da sua cruel ausência, mais a tristeza da separação
inevitável, fazem-na desfazer-se em lágrimas que ela não consegue suster. Por
muito grande que seja a nossa fé, a implacável ideia da morte não pode deixar
de tocar-nos e transtornar-nos; por isso, choravam também os judeus, porque se
lembravam da sua condição mortal e desesperavam da eternidade. Nenhum mortal
pode deixar de chorar perante a morte. Mas qual destas tristezas foi a de
Cristo? Nenhuma? Então por que chora Aquele que dissera "Lázaro morreu,
[...] e Eu estou contente"? E eis que derrama lágrimas como os mortais
Aquele que, ao mesmo tempo, derrama sobre eles uma vez mais o Espírito que dá a
vida! Assim é o homem, irmãos, que tanto sob o efeito da alegria, como da
tristeza, desata em lágrimas. Cristo não chorou por causa da desolação da
morte, mas por causa da lembrança da alegria, Ele a cuja palavra, à Sua palavra,
ressuscitarão os mortos para a vida eterna (Jo 12, 48). Como podia Cristo
chorar por fraqueza humana, quando o Pai que está nos céus chora o filho
pródigo, não quando ele sai de casa, mas quando regressa (Lc 15, 20)? É por
isso que Ele permite que Lázaro morra, para que, ao ressuscitá-lo, se manifeste
a Sua glória; permitiu que o Seu amigo descesse à mansão dos mortos para que
Deus aparecesse e o resgatasse dos infernos.
São Pedro Crisólogo (406-450) - Bispo de Ravena, Doutor da Igreja
Imagem: "Marta aos pés de Cristo" FROMENT, Nicolas
Fonte: Mosaico
Missa Pro Defunctis "Offertorium" (Cristóbal de Morales)
Domine, Iesu Christe, Rex gloriæ,
libera animas omnium
fidelium defunctorum
de poenis inferni et de profundo lacu.
Libera eas de ore leonis,
ne absorbeat eas tartarus,
ne
cadant in obscurum;
sed signifer sanctus Michael
repræsentet eas in lucem
sanctam,
quam olim Abrahæ promisisti et semini eius.
Hostias et preces tibi,
Domine, laudis offerimus;
tu suscipe
pro animabus illis,
quarum hodie memoriam facimus.
Fac eas, Domine, de morte transire ad vitam.
Quam olim Abrahæ promisisti et semini eius.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Senhor, tende piedade de mim.
Senhor, tende piedade de mim! Sofro, sim... mas quisera que
meu sofrimento não fosse tão egoísta; quisera, Senhor, sofrer por tuas dores na
Cruz, pelos olvidos dos homens, pelos pecados próprios e alheios, por tudo, meu
Deus, menos por mim.
São Rafael Arnaiz Barón
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Dunstable: Descendi in hortum meum
Descendi in hortum
nucum,
ut viderem poma
convallium
et inspicerem, si
floruisset vinea,
et germinassent mala
punica.
Eu desci ao jardim das nogueiras
para ver a nova vegetação dos vales,
e para ver se a vinha crescia
e se as romãzeiras estavam em flor.
(Cântico dos Cânticos 6, 11)
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"Saíram do Seu lado água e sangue"
Se quisermos entender o poder do sangue de Cristo, devemos
voltar à antiga narração da sua prefiguração no Egito. "Sacrifica um
cordeiro sem mancha", ordenou Moisés, "e asperge tuas portas com o
seu sangue". Se lhe perguntássemos o que ele quis dizer, e como o sangue
de um ser irracional poderia possivelmente salvar os homens providos de razão,
sua resposta seria que o poder de salvar não reside no sangue em si, mas no
fato de que ele é um sinal do sangue do Senhor. Naqueles dias, quando o anjo
destruidor viu o sangue nas portas, ele não ousou entrar, então quanto menos o
demônio se aproximará agora quando ele vê, não o sangue figurativo nas portas,
mas o verdadeiro sangue nos lábios dos crentes, as portas do templo de Cristo.
Se desejas mais provas do poder deste sangue, lembra donde veio ele, como
verteu da cruz, fluindo do lado do Mestre. O evangelho lembra que, quando
Cristo estava morto, mas ainda pendendo da Cruz, um soldado veio e transpassou
o seu lado com uma lança e, imediatamente, saíram sangue e água. Então a água
foi um símbolo do batismo, e o sangue, da santa Eucaristia. O soldado
transpassou o lado do Senhor, rompeu o muro do templo sagrado, e eu encontrei o
tesouro e apossei-me dele. O mesmo com o cordeiro: os judeus sacrificaram a
vítima e eu fui salvo por ela.
"Saíram do seu lado água e sangue". Amado, não
passes ao largo desse mistério sem refletir; ele tem ainda mais um sentido
oculto, que te explicarei. Eu disse que água e sangue simbolizavam o batismo e
a santa Eucaristia. Desses dois sacramentos, a Igreja nasceu: do batismo,
"a água purificadora que faz renascer e renovar pelo Espírito Santo",
e da santa Eucaristia. Já que os símbolos do batismo e da Eucaristia fluíram do
seu lado, foi do seu lado que Cristo formou a Igreja, como formara Eva do lado
de Adão. Moisés dá uma ideia disso quando conta a história do primeiro homem e
fá-lo exclamar: "Osso dos meus ossos e carne da minha carne!". Como
Deus tomou uma costela do lado de Adão para formar uma mulher, assim Cristo
deu-nos sangue e água do seu lado para formar a Igreja. Deus tirou a costela
quando Adão estava num sono profundo, e, do mesmo modo, Cristo deu-nos o sangue
e a água após a sua própria morte.
Entendes, então, como Cristo uniu sua esposa a si mesmo, e
que alimento ele nos dá a todos para comer? Por um e o mesmo alimento nós somos
trazidos à existência e nutridos. Como uma mulher nutre seu filho com seu
próprio sangue e leite, assim Cristo incessantemente nutre com seu próprio
sangue aqueles a quem ele mesmo deu a própria vida.
São João
Crisóstomo
terça-feira, 26 de junho de 2012
Do amor a Deus
Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo - " Amarás
ao Senhor teu Deus de todo o teu coração" (Mateus 22, 37).
Entre todos os amigos do mundo, onde encontraremos um mais
fiel, mais amante do que Deus? Amemos, pois, conforme o Seu desejo, de todo
coração e agradeçamos-lhe muitas vezes o obsequio que nos fez de chamando-nos a
Seu amor. Estejamos certos de que Jesus Cristo não se deixará vencer em amor, e
recompensará, cento por um, o que fizermos por amor a Ele. Cada ato intensivamente perfeito de amor para com Deus, faz-nos
adquirir um novo mérito igual a todos os méritos antes adquiridos.
É um favor especialíssimo, diz Santa Teresa, o que Deus
dispensa a uma alma, quando a chama a Seu amor, e já que nos chamou a Seu amor,
amemo-lo assim como Ele quer ser amado: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu
coração. O Venerável Padre Luis da Ponte tinha vergonha de dizer a Deus:
"Senhor, amo-Vos sobre todas as coisas; amo-Vos sobre todas as criaturas;
sobre todas as riquezas; sobre todas as honras e prazeres terrenos"; era
como lhe dissesse: Senhor, amo-Vos mais do que a palha, a fumaça e o lodo.
Deus, porém, já está satisfeito, se o amamos sobre todas as coisas.
Digamos-lhe, pois, ao menos:Sim, meu Senhor, amo-Vos mais que às honras
terrenas, mais que às riquezas, mais que a todos parentes e amigos; amos-Vos
mais que à saúde mais que a minha glória, mais que à ciência , e mais que todas
as minhas consolações; numa palavra, amo-Vos sobre todas as coisas e mais que a
mim mesmo.
Acrescentemos ainda: Senhor, estimo muito Vossas graças e Vossos
dons; mas, porém, do que a Vossos dons, amo a Vós, que só sois uma bondade
infinita, um bem infinitamente amável.
superior que a qualquer outro bem. Por isso, ó meu Deus, tudo que me quiserdes
dar, que não seja Vós mesmo, não me satisfaz; se Vós derdes Vós mesmo a mim,
Vós só me bastas. Busquem outros o bem
que quiserem; eu não quero buscar senão a Vós,
meu amor, meu tudo. Em Vós acho tudo quanto possa achar e desejar.
Dizia a sagrada Esposa que entre todas as coisas tinha
escolhido o amor a seu amado: Dilectus
meus candidus et rubicundus, electus est millibus - "O meu amado é cândido
e rubicundo , escolhido entre milhares" E nós, a quem queremos dar o nosso
amor? Entre todos os amigos deste mundo , onde encontraremos um amigo mais
amável?, mais fiel e mais amante do que Deus? Roguemos-lhe, pois, e
roguemos-lhe incessantemente: Trahe me post - "Leva-me após Ti."
Senhor, atraí-me a Vós, pois sei que sem Vosso auxílio não posso chegar-me
a Vós.
Diz Santo Agostinho que, quem possui Deus possui tudo, e que
não tem nada quem não possui a Deus. De
que serve ao rico a posse de todos os tesouros de ouro e pedras preciosas, se
não possui a Deus? De que serve a um monarca o domínio sobre muitos reinos, se
não possui a graça de Deus? De que
servem ao sábio sua grande sabedoria e
muitas línguas, se não sabe amar a Deus? - Quando David, sendo rei, estava em
pecado, percorria os seus jardins, ia à caça, procurava outros divertimentos;
mas afigurava-se-lhe que todas as criaturas lhe perguntavam: "Ubi est Deus
tuus?" Onde está o teu Deus? Queres achar tua satisfação em nós? Vai,
busca a Deus, a quem abandonaste; só Ele
pode te contentar. Por isso confessou que no meio das delícias não tinha
achado a paz, e que chorava noite e dia ao pensar que estava sem Deus.
Entre as misérias e as penas deste mundo, quem nos poderá
consolar melhor que Jesus Cristo? Ó loucura dos mundanos! Encontra-se mais
consolo numa lágrima derramada pela dor dos próprios pecados; vale mais um Meus
Deus! dito por uma alma em estado de graça, do que mil bailes, mil teatros, mil banquetes conseguem contentar o coração amante do mundo
- Seja, portanto, Deus só todo o nosso
tesouro, todo o nosso amo; seja o nosso único desejo contentarmos a Deus que
não se deixa vencer em amor. Deus recompensa cento por um cada coisa que
fazermos para lhe agradar. Cada ato
intensivamente perfeito de amor para com Deus, nos faz adquirir novo
merecimento igual ao de antes adquirido.
Ó meu Deus, sede Vós o grande objeto de meu amor! Assim como Vos prefiro ao amor de
todas as coisas, fazei que em tudo prefira o vosso agrado a todas as minhas
vontades. Meu Jesus, ponho a minha confiança em Vosso Sangue, e proponho, para
o tempo de vida que me resta não amar neste mundo senão a Vós, para ir um dia
possuir-Vos no Reino dos Céus- Ó Virgem
Santíssima, socorrei-me com as vossas poderosas orações, e fazei com que possa
ir beijar vossos pés no paraíso.
Santo Afonso Maria de Ligório
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e os divertimentos do carnaval
Consummabuntur omnia, quae scripta sunt per prophetas de filio hominis ― «Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas, tocante ao Filho do homem» (Luc 18, 31).
Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. A nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para compadecermos do seu divino Esposo, e o consolarmos com os nossos obséquios, ao passo que os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Não temos por ventura bastantes motivos para isso?
I. Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.
Tradetur gentibus ― «Ele vai ser entregue aos gentios». Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!
Illudetur, flagellabitur et conspuetur ― «Ele será motejado, flagelado e coberto de escarros». Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o santo Nome de Deus! ― Et postquam flagellaverint, occident eum ― «Depois de o terem açoitado, o farão morrer». Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, ah! nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.
É exatamente isto que Jesus Cristo quis dizer a Santa Gertrudes aparecendo-lhe num domingo de Qüinquagésima, todo coberto de sangue, com as carnes rasgadas, na atitude do Ecce Homo, e com dois algozes ao lado, os quais lhe apertavam a coroa de espinhos e o batiam sem piedade. Ah! meu pobre Senhor!
II. Refere o Evangelho em seguida, que, aproximando-se Jesus de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada e pedia esmolas. Ouvindo passar a multidão, perguntou o que era. Sabendo que passava Jesus de Nazaré, apesar de a gente o ralhar, afim de que se calasse, não cessava de gritar: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim (Luc 18, 38). Por isso mereceu que, em recompensa da sua fé, o Senhor lhe restituísse a vista: Fides tua te salvum fecit ― «A tua fé te valeu».
Se quisermos agradar ao Senhor, eis aí o que também nós devemos fazer. Imitemos a fé daquele pobre cego, e neste tempo de desenfreada licença, enquanto os outros só pensam em se divertir com prazeres mundanos, procuremos estar, mais que de ordinário, diante do Santíssimo Sacramento. Não nos importemos com os escárnios do mundo, lembrando-nos do que diz São Pedro Crisólogo: Qui iocari voluerit cum diabolo, non poterit gaudere cum Christo ― «Quem quiser brincar com o demônio, não poderá gozar com Cristo». Quando nos acharmos em presença de Jesus no tabernáculo, peçamos-lhe luz para detestarmos as ofensas que o magoam tão profundamente. Peçamos-lh’a não somente para nós mesmos, senão também para tantos irmãos nossos desviados: Domine, ut videam ― «Senhor, fazei-me ver».
Amabilíssimo Jesus, Vós que sobre a cruz perdoastes aos que Vos crucificaram, e desculpastes o seu horrendo pecado perante o vosso Pai, tende piedade de tantos infelizes que, seduzidos pelo espírito da mentira, e com o riso nos lábios, vão neste tempo de falso prazer e de dissipação escandalosa, correndo para a sua perdição. Ah! pelos merecimentos de vosso divino sangue, não os abandoneis, assim como mereceriam. Reservai-lhes um dia de misericórdia, em que cheguem a reconhecer o mal que fazem e a converter-se. ― Protegei-me sempre com a vossa poderosa mão, afim de que não me deixe seduzir no meio de tantos escândalos e não venha a ofender-Vos novamente. Fazei que eu me aplique tanto mais aos exercícios de devoção, quanto estes são mais esquecidos pelos iludidos filhos do mundo. «Atendei, Senhor, benigno às minhas preces, e soltando-me das cadeias do pecado, preservai-me de toda a adversidade» + Doce Coração de Maria, sede minha salvação.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Branca Hóstia que eu amo!
Tu, que conheces minha pequenez extrema,
Não temes Te baixar a mim!
Vem ao meu coração, branca Hóstia que eu amo!
Vem ao meu coração! Ele suspira por Ti!
Ah! Quisera que Tua bondade me deixasse morrer de amor,
depois desta graça.
Jesus escuta o grito de minha ternura. Vem ao meu coração!
(Santa Teresa de Lisieux)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Solidão por Santa Faustina Kowalska
Solidão - meus momentos prediletos!
Solidão - mas sempre Convosco, Jesus e Senhor!
Junto ao Vosso Coração passo horas agradáveis
E junto dele minha alma encontra descanso.
Quando o coração está repleto de Vós e cheio de amor,
E a alma arde com fogo puro,
Então no maior abandono a alma não sente solidão,
Porque descansa em Vosso seio.
Ó solidão - momentos da mais elevada companhia!
Embora abandonada por todas as criaturas,
Afundo-me toda no oceano de Vossa divindade,
E Vós ouvis ternamente as minhas confidências.
Santa Faustina Kowalska
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
"Há em nós um palácio onde habita um Rei" Santa Teresa de Jesus
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PITTONI Giovanni Battista “Sainte Thérèse d’Avila” |
Imaginemos que há em nós um palácio de imensa riqueza, todo construído em ouro e pedras preciosas, digno do Mestre a quem pertence. Em seguida, pensai, minhas irmãs, que a beleza deste edifício também depende de vós. É verdade, pois haverá edifício mais belo do que uma alma pura e cheia de virtudes? E quanto maiores forem, mais resplandecem as pedrarias. Por fim, pensai que neste palácio habita este grande Rei que quis Se tornar nosso Pai; Ele Se senta num trono de grande valor, que é o vosso coração. Podereis rir-vos de mim e dizer que isto é muito claro. Tendes razão, mas isto foi obscuro para mim durante um certo tempo. Eu compreendia que tinha uma alma, mas a estima que esta alma merecia, a dignidade dAquele que a habitava era algo que eu não compreendia. As vaidades da vida eram como uma venda que colocava sobre os olhos. Se eu tivesse percebido, como percebo hoje, que naquele pequeno palácio da minha alma habita um Rei tão grande, não O teria deixado só tantas vezes; teria ficado de tempos a tempos perto dEle e teria feito o necessário para que o palácio estivesse menos sujo. Como é admirável pensar que Aquele cuja grandeza encheria mil mundos, e muito mais, cabe numa morada tão pequena!
Palestrina - Osculetur me osculo (Canticum Canticorum)
Osculetur me osculo oris suores sui
Qui a meliora sunt ubera tua vino,
Fragantia unguentis optimis
Oleum effusum nomen tuum
Ideo adulescentulae dilexerunt te.
Beija-me com os beijos de tua boca
Porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho,
E suave é a fragrância de teus perfumes
O teu nome é como um perfume derramado
Por isto amam-te as jovens.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Beata Teresa de Calcutá
Quando você não defende a si mesmo contra as ofensas
Quando você não chama por seus direitos
Quando você deixa Deus defendê-lo
Silêncio é mansidão...
Silêncio é misericórdia
Quando você não revela a outros a falta de seus irmãos
Quando você prontamente perdoa sem remexer o passado
Quando você não julga, mas ora em seu coração
Silêncio é misericórdia...
Silêncio é paciência
Quando você aceita sofrimentos sem reclamar, alegremente
Quando você não procura consolações humanas
Quando você não se torna muito excitado
Mas espera, paciente, que a semente germine
Silêncio é paciência...
Silêncio é humildade
Quando não há competição
Quando você considera a outra pessoa melhor do que você
Quando deixa seu irmão brotar, crescer e amadurecer
Quando você, alegremente, abandona tudo no Senhor
Quando as suas ações podem ser mal interpretadas
Quando você deixa para outros a gloria da recompensa
Silêncio é humildade...
Silêncio é fé
Quando você guarda silêncio porque sabe que o Senhor agirá
Quando você renuncia à voz do mundo
para manter-se na presença do Senhor
Quando você não se esforça para ser entendido
Porque é suficiente para você saber que o Senhor o entende
Silêncio é fé...
Silêncio é adoração
Quando você abraça a cruz sem perguntar “por quê”
Silêncio é adoração...
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