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sábado, 1 de outubro de 2011

O amor demonstrado por Jesus na Instituição da Eucaristia

MAULBERTSCH, Franz Anton. "The Last Supper" 1754
                                                             
"Sabendo Jesus que chegara sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13, 1).

Nosso Salvador, sabendo ter chegado a hora de partir deste mundo, antes de morrer por nós, quis deixar-nos a maior prova possível de seu amor. Foi precisamente este dom do Santíssimo Sacramento. Diz São Bernardino: "As provas de amor que se dão na hora da morte ficam mais firmemente na memória e se prezam mais". Daí o costume de os amigos, ao morrer, deixarem algum presente, uma peça de roupa, um anel, às pessoas que amaram na vida, como recordação de sua amizade.

— Mas vós, Jesus, partindo deste mundo, o que nos deixastes em memória de vosso amor? Não uma veste, um anel, mas o vosso corpo, o vosso sangue, a vossa alma, a vossa divindade, vós mesmo, todo, sem reservas. "Deu-se todo não reservando nada para si", diz São João Crisóstomo.

Neste dom da Eucaristia — diz o Concílio de Trento — Cristo quis derramar todas as riquezas do amor que reservava para os homens. Ele quis fazer esse presente aos homens precisamente na noite em que os homens lhe preparavam a morte. Como diz São Paulo: "Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e depois de dar graças, partiu-o e disse: esto é o meu corpo que é entregue por vós". Diz São Bernardino de Sena que Jesus Cristo, abrasado de amor por nós e não satisfeito de preparar-se para dar sua vida pela nossa salvação, foi constrangido pelo excesso de seu amor a fazer uma obra maior: dar-nos, como alimento, o seu próprio corpo.

Santo Tomás chama esse sacramento: "Sacramento de amor, prova de amor". Sacramento de amor, porque só o amor o levou a dar-se todo nele. Prova de amor para que nós, se alguma vez duvidarmos de seu amor, tenhamos neste sacramento uma prova. É como se nos dissesse o Redentor quando nos deixava este dom:

— Homens, se algum dia duvidarem de meu amor, eis que eu lhes deixo a mim mesmo neste sacramento. Com tal garantia na mão, não podem ter dúvidas de que eu os amo e os amo muito!

São Bernardo chama esse sacramento: "Amor dos amores". É que este dom compreende todos os outros que o Senhor nos fez: a criação, a redenção, o destino ao céu. A Eucaristia não é só garantia do amor de Jesus Cristo, mas é também garantia do paraíso que ele nos quer dar... "no qual, nos é dada a garantia da glória futura", diz a Igreja. Por isso São Felipe Neri não sabia chamar a Jesus Cristo na Eucaristia senão com o nome de "amor". Quando lhe foi levado o viático, ouviram-no exclamar: "Eis o meu amor, dai-me o meu amor!"

Santo Afonso Maria de LIGÓRIO. "A prática do Amor a Jesus Cristo"



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Olha para a Estrela, chama por Maria.

RUBENS, Pieter Pauwel "Immaculate Conception" c. 1628

«Está escrito: "e o nome da virgem era Maria" (Lc 1,27).
Falemos ainda um pouco desse nome que é interpretado como:
"Estrela do Mar", e que tão bem convém à Virgem Maria. (…)
Se em ti surgirem os ventos das tentações, se navegares no meio das provações,
olha para a Estrela, chama por Maria.
Se te agitarem as ondas da insolência e da ambição, da difamação ou do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria.
Se a ira, a ganância ou a concupiscência da carne sacudirem o barco da tua alma,
olha para Maria.
Se, inquieto com a fealdade de teus crimes, confuso com a corrupção de tua consciência, aterrorizado pelo temor do juízo, começares a afundar no abismo da tristeza, no abismo do desespero, pensa em Maria.
No perigo, na angústia, na incerteza, invoca Maria, pensa em Maria. Que esse doce nome nunca se aparte de tua boca, de teu coração… mas para participares da graça que ele contém, não te esqueças dos exemplos que ele recorda.
Seguindo a Maria, não se é desviado;
rezando a Maria, não se teme o desespero;
pensando em Maria, não se erra;
se ela te segurar pela mão, não cairás;
se ela te proteger, nada temerás;
se ela te guiar, não te cansarás;
e se ela te for favorável, conseguirás, 
e entenderás por experiência própria porque está escrito: 
"e o nome da virgem era Maria "(Lc 1,27).»

                                                                               (São Bernardo de Claraval)